A internet aqui não é das melhores e ainda ficamos alguns dias sem o pouco que tinhamos, por isso a falta de post.
Muito se passou e muito se fez nesse tempo.
Como cheguei aqui no final do ano, não peguei nenhuma frente específica por enquanto, estou apenas ajudando a tudo e a todos conforme a necessidades… um coringa que ajuda quem chora mais, essa que é a verdade.
Sendo assim participei de provas, como vigilante, aquele cara chato que não deixa você colar na prova, ajudei na correção de provas de Inglês… vocês podem imaginar? eu, corrigindo prova de inglês? quem diria não é mesmo? Tabulações, preenchimento de cadernetas, enfim, de tudo um pouco.
Com o final do ano eu e a Kaho também ficamos na confecção dos Diplomas e Certificados, correção e confirmação dos dados com alunos e professores, mais de 300 alunos… Ai Ai Ai… e claro a tão esperada Graduação.
Nesse meio tempo eu também dei um curso sobre VIH e SIDA, sim VIH e SIDA, afinal aqui é Moçambique e fala-se Português, como disse o Thiago no blog dele, não sei porque nós brasileiros temos essa mania estúpida de usar os nomes em Inglês, erradamente ainda… pois bem curso de VIH e SIDA que foram de dois dias, tendo o primeiro um grupo de 115 alunos e o segundo 46, infelizmente o corum reduziu, mas de qualquer maneira foi interessante, os que estiveram presentes participaram e se beneficiaram.
Apesas dos alunos terem entre 19 e 16, em sua maioria pois temos alguns de 40, 50…, falar sobre SEXO é muito dificil pra eles.
A cada vez que se falava em SEXO, PÊNIS, VAGINA era uma risadinha aqui outra ali, se falasse de TRANSAR, PINTO ou qualquer outro nome “não científico” era uma risada generalizada sem controle. Eles não falam de sexo e não se sentem tranquilos para falar.
Infelizmente com esse gupo não tive muito tempo, mas já peguei a frente VIH e SIDA e ano que vem teremos uma programação diferente e especial o ano todo.
Alguns dados me chocaram, pois Moçambique tem mais de 20% da população com VIH (isso são devido aos resultados daqueles que fizeram o teste) e aqui em GAZA, a provincia onde estou esse número vai para 25% – dados de 2003.
Mas após o teste que fiz com os alunos pude perceber que eles sabem, com algumas pequenas confusões, mas sabem.
Dentre as atividades que realizamos aqui, eu e a Kaho participamos de Conselhos de Professores, o que pra mim foi decepcionante. O ensino aqui não é dos melhores, isso por “N” fatores que que pedem um post exclusivo para essa discussão, e os alunos também não tem, em sua maioria, uma boa base educacional. O problema é que para se “resolver” isso acabam que “dando” pontos para que os alunos passem.
Eu não resisti e na reunião falei tudo o que pensava, questionei os mesmos, professores moçambicanos, como eles gostariam de udar o futuro do pais deles colocando nas salas de aulas jovens despreparados para tal. Ser professor em moçambique não é fácil, classes com 60 a 80 alunos, falta de material, estrutura precária, falta de água e tal. Ou seja se já é dificil para um professor bem formado dar aula, imaginem para um jovem de vinte e poucos anos que não tem boa formação?
Questionei o que eles queriam para o pais deles e tal.
O silêncio tomou conta da sala, mas infelizmente, no final das contas, os pontos foram dados e os alunos se graduaram.
O que me resta é trabalhar firme ano que vem para que isso não se repita com os meus alunos.
Não sei ao certo como farei, pois não sou professor, mas graças à inspirações de minha guerreira mãe (penso sempre em você) acho que conseguirei ajudá-los de alguma maneira.
Bom, eu não gosto de posts longos e ainda mais assim, falando de várias coisas…
Vamos seguindo… por hora planificando nossas férias de Natal e Ano Novo.
Beijos para todos










