Arquivo de Mozambique

Minha primeira visita à uma sala de aula da 1ª série

Posted in Uncategorized with tags , , , , , , , , , , , on 06/04/2010 by PedroRibeiro

Acordei às 4:00 para tomar um banho e comer alguma coisa antes de sair de casa às 5:00 rumo a EPF, onde iríamos nos encontrar com os alunos para irmos até uma escola em Conhane, a 8km de distância. Os alunos possuem bicicletas, mas eu e Kaho ainda não, o que nos obriga a fazer o percurso a pé.
A priori a paisagem e o clima são bem favoráveis, vemos o sol amanhecer na nossa frente, mas após 30 minutos de caminhada, como era de se esperar, o calor já começou a esquentar nossas cabeças.
Em uma estrada de terra com machambas (plantações de arroz) dos dois lados de vez em quando surgiam algumas casas ou pequenos aglomerados de casas feitas de palha ou de pau-a-pique.
Encontramos também com algumas pessoas no caminho oposto ao nosso, indo trabalhar nas machambas. Em sua maioria mulheres, carregando enchadas e outras ferramentas sob suas cabeças.
No meio do caminho encontramos com duas crianças, um garoto com 12 anos e sua irmã com 8, ambos indo para a mesma 2 classe. Ele descalço e ela com um vestidinho uns 3 números maior do que o seu tamanho. Caminhavam em passos lentos, porem constantes. Ela carregava seu material em uma sacola plástica, dessas de supermercado e ele em uma modesta mochila.
Eles nos indicaram o caminho e passamos a segui-los saindo assim da “ estrada” e adentrando em uma vila. Por entre os caminhos e casas fomos entre comprimentos e olhares caminhando ate chegarmos na escola.
Um prédio de dois andares feito de blocos em um terreno amplo de terra batida, uma grande árvore gera sombra e apoio as bicicletas dos professores. Todo o prédio sem acabamento, sendo o chão em cimento queimado e as paredes com os blocos a vista e mesmo com duas janelas e a porta aberta as salas são um pouco escuras.
A turma da primeira classe tinha 53 crianças, com idades diversas de 6 a 10 anos e cada carteira era dividida entre 3 a 4 crianças, muitas delas se perdiam nas carteiras, não alcançando os pés no chão e escrevendo com dificuldade devido a altura do apoio dos cadernos.
Na lousa a professora iniciava a aula, sobre os números 1, 2 e 3. A aula se passa inteira sobre esses números sendo trabalhada a repetição oral e escrita. Muitas crianças não prestam atenção no que a professora fala, muitas devido a dificuldade de compreender o português, língua utilizada pela professora por toda a aula.
Quando a professora apontava os números na lousa e pedia para que todos repetissem, Um, Dois, Três, muitas crianças repetiam os sons, mas sem mesmo olhar para frente, cantando os sons como que automaticamente, repetindo sempre os mesmos sons na mesma sequencia e no mesmo ritmo.
Algumas crianças foram chamadas ao quadro para escreverem os números, em sua maioria, sem sucesso.
Na segunda aula, de língua portuguesa foram ensinados as vogais e alguns hiatos. O sistema de ensino foi o mesmo, repetindo também o grau de compreensão e envolvimento das crianças.
Realmente não e fácil ministrar uma aula com uma turma de mais de 50 crianças com diferentes idades em outro idioma.
Como conseguir a atenção das mesmas? Como fazer com que elas assimilem o conteúdo?
A pergunta continua no ar. Espero que consiga achar algumas soluções com os meus alunos para que esses possam melhorar as aulas futuras por aqui.

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Maputo…

Posted in Uncategorized with tags , , , , , on 06/04/2010 by PedroRibeiro

Essa foi a minha segunda vez em Maputo, capital de Moçambique. Dessa vez pude ficar por mais tempo e conhecer melhor, andando pelas suas ruas e avenidas.
Maputo é uma cidade muito interessante, ao mesmo tempo que ainda é muito suja e desorganizada, com um transito caótico e desrespeitado, onde chapas (meio de transporte coletivo que é feito por vans bem velhas caindo aos pedaços importadas do Japão em sua maioria) disputam espaços com Hylux e outros carros e pick-ups de grande porte e sofisticadas, vededores ambulantes por toda parte vendendo roupas, livros, calçados, frutas, verduras e legumes, artezanatos, óculos de sol e adaptadores de tomada, temos também lojas da Beneton, Hugo Boss e Levis.
O mal cheiro também a presente em vários lugares da cidade, seja pelo lixo acumulado nas ruas e calçadas ou pelo esgoto que corre.
Mas apesar de toda essa pobreza aparente eu não presenciei muitos pedintes ou moradores de rua, a grande maioria das pessoas que se encontravam nas calçadas estavam trabalhando, um trabalho bem informal, como vendedores ambulantes, mas trabalhando.
Por ser mulungo (homem branco em changana, dialeto da região sul de Moçambique), as pessoas pensam que sou turista e com dinheiro e tentam me vender tudo a todo custo, chegam a me acompanhar pos mais de 5 quarteirões tentando uma negociação de preço mesmo que eu já tenha dito que não quero comprar.
Pelo mesmo motivo a venda sempre começa com um preço elevado, com um pouco de paciência pode-se chegar a pelo menos a metade do preço inicial.
A arquitetura é um mix de prédios antigos com vários apartamentos com suas grades e varais nas janelas e prédios mais antigos ainda queimados, abandonados e destruidos, aparentemente da época do colonialismo português. Em sua maioria com a pintura por descascar a cidade no geral parece mal cuidada.
Na ultima sexta-feira do mês por ser dia de pagamento o movimento na cidade aumenta e com as devidas proporções o caos. As caixas eletrônicoa da ATM, onde parece que todos sacam seus salários, ficam com filas enormes, me lembrou a época do Banespa no Brasil. O número de ambulantes também parece que triplica, assim como a agrecividade nas vendas e a diversidade de utencílios diversos oferecidos.
Toda essa massificação e aglomeração de pessoas nas chapas e calçadas fica ainda melhor com o calor de 38º a 42º e claro, suor.

Estamos Juntos

Posted in Uncategorized with tags , , , , , , , , on 26/11/2009 by PedroRibeiro

Finalmente cheguei no meu projeto. Eu estou em Nwachicoluane na província de Gaza ao sul de Moçambique. A região aqui é bem rural, com uma estrutura precária.

No caminho que fiz de Maputo, capital de Moçambique, até aqui pude ver várias  áreas sem energia e com bombas para coleta de água.

Cada pequena casa tem uma pequena área com cultivo de terra e todo o momento eu pude ver apenas mulheres trabalhando. Pode ser sózinha, em grupos, com crianças, sem crianças, não importa, sempre trabalhando. Não sei se os homens estão trabalhando na cidade ou se não existem tantos homens, mas enfim, a mulher moçambicana já me impressiona e inspira pela sua força.

A vila onde estou é bem simples, as casas são todas iguais, feitas de concreto pré moldado sendo que em uma construção temos duas casas, a nossa aqui, onde m,oram os voluntários, tem 3 quartos, um banheiro, uma cozinha e uma sala. Muito maior do que alguns apartamentos que eu já morei. O Chão é de cimento queimado o que ajuda a refrescar um pouco o calor de 33oC.

A escola fica a uns 500 metros daqui e o percurso é feito entre as ruas de barro, porcos, galinhas, bodes, lixo e casas. A precariedade de higiene é grande e o “cheiro de  fazenda”, devido aos animais espalhados por todo lugar, é constante, seja em casa, no caminho ou na escola.

Com um campus grande a ADPP de Gaza surge no meio das casas. Com prédios em amarelo e branco, uma grande área verde atende atualmente 300 alunos, sendo parte deles a ultima turma de quando o programa ainda funcionava com uma grade escolar de dois anos e meio.

Fui recepcionado com muito carisma por todos que sempre me diziam “Estamos Juntos!” no final do comprimento. Os alunos tem uma faixa etária que vai de 20 à 35, mas essa turma, talvez por ja estarem a menos de um mês da sua formatura, me parecem um pouco cansados.

Os alunos dormem dentro da escola, em dormitórios com capacidade para 8 pessoas, sendo separados homens de mulheres.

Foi muito bom rever a Kaho, que quando eu cheguei estava no meio da sua aula de inglês. Ela já está bem inturmada, aprendendo inglês e até um pouco da lingua local.

Tive a minha primeira refeição na escola, de almoço, Xima, arroz, peixe frito e um molho. Confeço que xima não me agrada muito, mas vou sobreviver, afinal todos aqui se alimentam apenas assim e estão firmes e fortes.

Aqui próximo não temos muitas opções de mercado, apenas em Chokwe onde eu espero poder encontrar frutas, verduras e legumes.

Xima, Arroz, Peixe e "molho"

Podemos ter as três refeições na escola, mas a intenção é tomarmos café e almoçarmos na escola, mas jantarmos em casa.

Conversei um pouco com Jogen, o líder de projeto daqui, e falei quais as minhas idéias, mas como ele estava ocupado, devido aos exames finais e tudo isso, combinamos de conversar melhor no dia seguinte.

Eu estou escrevendo na quarta-feira, 25 de novembro de 2009 o que vai ser meu segundo dia aqui, isso porque como todos as minhas manhãs em solo Africano acordei muito cedo, dessa vez às 4 da manhã.

Internet aqui apenas na escola e não é muito boa, então tentarei escrever aqui em casa e postar no dia seguinte. Vamos ver como funcionará para postar as fotos e vídeos.

Um beijo bem grande para todos.