Minha primeira visita à uma sala de aula da 1ª série

Acordei às 4:00 para tomar um banho e comer alguma coisa antes de sair de casa às 5:00 rumo a EPF, onde iríamos nos encontrar com os alunos para irmos até uma escola em Conhane, a 8km de distância. Os alunos possuem bicicletas, mas eu e Kaho ainda não, o que nos obriga a fazer o percurso a pé.
A priori a paisagem e o clima são bem favoráveis, vemos o sol amanhecer na nossa frente, mas após 30 minutos de caminhada, como era de se esperar, o calor já começou a esquentar nossas cabeças.
Em uma estrada de terra com machambas (plantações de arroz) dos dois lados de vez em quando surgiam algumas casas ou pequenos aglomerados de casas feitas de palha ou de pau-a-pique.
Encontramos também com algumas pessoas no caminho oposto ao nosso, indo trabalhar nas machambas. Em sua maioria mulheres, carregando enchadas e outras ferramentas sob suas cabeças.
No meio do caminho encontramos com duas crianças, um garoto com 12 anos e sua irmã com 8, ambos indo para a mesma 2 classe. Ele descalço e ela com um vestidinho uns 3 números maior do que o seu tamanho. Caminhavam em passos lentos, porem constantes. Ela carregava seu material em uma sacola plástica, dessas de supermercado e ele em uma modesta mochila.
Eles nos indicaram o caminho e passamos a segui-los saindo assim da “ estrada” e adentrando em uma vila. Por entre os caminhos e casas fomos entre comprimentos e olhares caminhando ate chegarmos na escola.
Um prédio de dois andares feito de blocos em um terreno amplo de terra batida, uma grande árvore gera sombra e apoio as bicicletas dos professores. Todo o prédio sem acabamento, sendo o chão em cimento queimado e as paredes com os blocos a vista e mesmo com duas janelas e a porta aberta as salas são um pouco escuras.
A turma da primeira classe tinha 53 crianças, com idades diversas de 6 a 10 anos e cada carteira era dividida entre 3 a 4 crianças, muitas delas se perdiam nas carteiras, não alcançando os pés no chão e escrevendo com dificuldade devido a altura do apoio dos cadernos.
Na lousa a professora iniciava a aula, sobre os números 1, 2 e 3. A aula se passa inteira sobre esses números sendo trabalhada a repetição oral e escrita. Muitas crianças não prestam atenção no que a professora fala, muitas devido a dificuldade de compreender o português, língua utilizada pela professora por toda a aula.
Quando a professora apontava os números na lousa e pedia para que todos repetissem, Um, Dois, Três, muitas crianças repetiam os sons, mas sem mesmo olhar para frente, cantando os sons como que automaticamente, repetindo sempre os mesmos sons na mesma sequencia e no mesmo ritmo.
Algumas crianças foram chamadas ao quadro para escreverem os números, em sua maioria, sem sucesso.
Na segunda aula, de língua portuguesa foram ensinados as vogais e alguns hiatos. O sistema de ensino foi o mesmo, repetindo também o grau de compreensão e envolvimento das crianças.
Realmente não e fácil ministrar uma aula com uma turma de mais de 50 crianças com diferentes idades em outro idioma.
Como conseguir a atenção das mesmas? Como fazer com que elas assimilem o conteúdo?
A pergunta continua no ar. Espero que consiga achar algumas soluções com os meus alunos para que esses possam melhorar as aulas futuras por aqui.

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8 Respostas to “Minha primeira visita à uma sala de aula da 1ª série”

  1. Silvia Manrique Says:

    Amei ler o seu blog! Obrigada! beijo

  2. muito legal seu blog!
    🙂
    feliz por vc!
    bjs

  3. LAURA Says:

    Olá, meu caro. Ñ éfacilmesmo. Mas é possível. Aprof precisa tentar aglutinar as criancas de acordo com o q já sabem. Para as mais novas um desenho, para outras palavras q comecem com a mesma letra inicial da palavra chave do texto a ser trabalhado, para outras a formacão de novas palavras a partir da palavra chave: ACROSTICO. Sempre bom comecar com uma estória, lida, contada, dramatizada. Pois assim prende a atencão da crianca.

  4. Aninha Says:

    É meu caro…
    pelo tanto descrito, parece que tens muuito trabalho por aí!
    Na falta de outros recursos… use o bom senso, esse, é um recurso que pouca gente tem! 😉

    Sorte, fé e força, meu querido!
    é isso ae!

  5. Puxa, Bizuzão…uma realidade cheia de dificuldades e percalços, não é? Mas é possível! Vejo que estás aprendendo muito com essa sua estadia na África, e tenho certeza de que também contribuirá muito para o progresso da educação aí.
    Força e fé!!

    Bjocas

  6. O meu amigo… que trabalho lindo que vc esta fazendo. Eh muito desafio neh? Mas eu tenho certeza do quanto isso te faz bem conhecendo a sua grandeza. Nao desanime meu querido, vc esta mudando o universo e a vida de muitas pessoas, e isso eh o melhor que se pode querer. Um super beijo com muita saudade.

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